sexta-feira, 22 de junho de 2018

ESCOLAS DEMOCRÁTICAS


Após assistir o vídeo “Escolas Democráticas”, o primeiro pensamento que nos vem a mente é de que o título é inadequado ao conteúdo apresentado. O conteúdo apresentado retrata um ALUNO RECEPTOR e uma ESCOLA NÂO REFLEXIVA, conceitos não pertencentes à Escola Democrática que trabalha com a participação igual de todos os segmentos da escola, sejam professores, estudantes ou funcionários. O ambiente proposto na escola democrática é um ambiente que estimula e proporciona a todos os estudantes para que tenham voz ativa, sendo os atores principais do processo educativo e os professores tem o papel de estimular e propiciar para que isso se efetive.
            O vídeo nos mostra uma dura realidade e nos faz pensar sobre como o ambiente escolar oportunizado pelos professores e pelo sistema escolar pode transformar a vida de seus alunos, tanto para propulsão aos novos saberes como para a alienação e para a reprodução do que aprendeu, sem ter a permissão para mudar.
            No início percebe-se alunos chegando em frente da escola felizes, com roupas coloridas, representando suas individualidades e suas diferenças. Cada um traz sua experiência, seus aprendizados, sua história de vida; onde nenhum é igual ao outro. No entanto, ao entrarem na escola todos são “iguais”, a mesma cor de roupa, comportamentos repetitivos, se transformando num aluno receptor de informações, onde lhe é exigido que faça somente o solicitado dentro do tempo de aula previsto e acompanhe a mudança do período de aula, de acordo com o relógio. Não são oportunizados tempos e espaços diferenciados, sendo que se fosse uma escola democrática seria dado a oportunidade ao aluno de gerir seu próprio tempo, uma vez que sabemos existem tempos diferenciados para que ocorram as aprendizagens.

COMO UTILIZAR OS NOVOS RECURSOS TECNOLOGICOS NA ESCOLA?

Hoje temos a nossa disposição lousas digitais, notebooks, data show, smartv, celulares, livros digitais, entre outros.
Será que está errado utilizá-los?
Certamente não, pois eles tornam o aprendizado mais atraente interativo, dinâmico; no entanto, não podem ser os únicos recursos do professor.
Digitar um texto no computador colabora com o professor a medida que o corretor ortográfico sinaliza ao aluno os erros de escrita, mas não exime o papel do professor das técnicas de estimulação para elaboração de um texto  com boas ideias, coerência e consonância com o tema proposto.
A digitação constante não desenvolve a motricidade fina e, se não praticada, a escrita manual será incompreensível.
Realizar jogos flash no Gcomprix torna os cálculos matemáticos mais atraentes, mas não substitui a exploração do material dourado, que é concreto e visual para levar a raciocínio lógico abstrato necessário para a aprendizagem dos cálculos.
Registrar num blog um projeto de aprendizagem não garante a aprendizagem se não ocorreram todas as etapas do projeto de forma concreta.
Participar de uma rede social me traz muitos "amigos", mas a interação social me mostra o conceito de amizade e respeito as diferenças.
Os recursos são importantes mas não substituem o pular corda, os jogos com bola, as cambalhotas e as rodas cantadas que ainda dão sentido às aprendizagens.
Como nos disse Piaget:
" TODO CONHECIMENTO TEM UM NÍVEL FIGURATIVO QUE SE INSCREVE AO CORPO."


INOVAÇÃO PEDAGÓGICA

A educação sempre está em busca da inovação, ou seja, de algo que é novo, uma novidade para trazer ao universo escolar.
No momento parece que este termo está mais latente ainda e associado a novos recursos tecnológicos.
Antes de qualquer posicionamento é importante deixar claro que recurso tecnológico é diferente de tecnologia.
O primeiro refere-se aos instrumentos utilizados como computadores, lousa digital, smartv, celulares, redes de comunicação,...
Enquanto o segundo é o estudo sistemático de métodos, processos ou técnicas que produzam conhecimento.
Desta forma, também não podemos confundir os conceitos de inovação pedagógica com utilização de novos recursos tecnológicos. A inovação pedagógica é a utilização de novas metodologias que levem o aluno a pensar mais, ser mais crítico e autocrítico, que compreender a informação e se posicionar sobre ela.
A inovação tecnológica trouxe para os indivíduos uma nova forma de se relacionar com a informação, ela está mais próxima, mais rápida. E isso confunde um pouco o processo, pois a rapidez que recebemos a informação não deve ser a mesma que a devolvemos, se faz necessário uma leitura atenta e criteriosa, buscando compreende-la de forma correta para que ela não seja entendida de forma incorreta.
esse tempo que ganhamos com a proximidade com as informações deve ser utilizado para análise e reflexão, não podemos trocar qualidade por quantidade.
Acredito que a inovação pedagógica é desenvolver nos estudantes a consciência de que o sujeito tem que ser autônomo, crítico, independente e social. A interação entre os sujeitos não pode ser ofuscada por uma tela digital.
A escola precisa buscar formas de se organizar para que possa utilizar as ferramentas tecnológicas para dissipar a informação para os estudantes interagirem e construírem suas aprendizagens e não apenas um recurso transmissor de mais informações, muitas vezes descontextualizadas sem a preocupação com a verdade e a comprovação científica.
Nós professores não podemos nos esquecer que a observação, experimentação e investigação é que levam às conclusões e não um grande número de postagens da mesma informação.

ESCOLA NOVA OU NOVA ESCOLA? DO QUE PRECISAMOS?

Atualmente nós professores temos a nossa disposição recursos e ferramentas tecnológicas que os nossos professores não tinham.
O planejamento de aulas dos nossos professores era demorado, uma vez que precisavam fazer muitas pesquisas até definirem o que era interessante para trazerem para o nosso aprendizado. Atualmente é só dar um click no Google, digitar um assunto e temos uma gama de opções para meramente fazer a reprodução e passar aos nossos estudantes. Acredito que  existência desses recursos é positiva a medida que nos dá uma maior tempo para reflexão, para estudar novas metodologias de aprendizagem, conhecer novos autores que versam sobre conceitos de aprendizagens ou sobre motivos para não aprendizagens.
Apenas faço uma ressalva de que esse facilitador não deve ser o fator que nos leve a reprodução de metodologias velhas e ultrapassadas mas com emojis para dar uma carinha de modernidade.
A escola deve se reinventar sempre, ser uma nova escola, atualizada, com pensamento reflexivo e com novas propostas de aprendizagens e não uma escola nova com paredes novas, pintura nova e recursos tecnológicos atualizados.
Esses recursos devem ser os facilitadores e não os meios de aprendizagem.
O estudante ainda tem que ser um ser pensante, crítico e defensor de seu pensamento, não um indivíduo que repassa whatsapp em grupos de afinidade.


http://www.startribune.com/why-use-words-emojis-convey-health-just-fine-mayo-finds/464063023/

Assim estamos reproduzindo a "metodologia" da professora do vídeo apresentado na interdisciplina de Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação  sobre inovação pedagógica.

A TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO


Ao olharmos para o blog , que neste momento, é o recurso para o registro das aprendizagens significativas do semestre e o compartilhamento dessa informações com outros sujeitos envolvidos no processo, ficamos em estado de contemplação igual ao "Helpdesk"(Serviço de apoio a usuários na resolução de problemas técnicos) da idade média da vídeo assistido na Interdisciplina de Educação e Tecnologias da Informação e da Comunicação. São tantas possibilidades e recursos que no passado não existiam.
Quando ingressei no meu primeiro ano escolar os artefatos utilizados eram cadernos, lápis de escrever, lápis de cor e as tão "desejadas" canetinhas hidrocor para mudar as "fontes" de escritas manuais.
Lembro-me que o meu pai era responsável por fazer a página com os dados de identificação, pois como ele era desenhista tinha uma fonte de letra perfeita e uniforme.
Da mesma forma que Helpdesk também aguardávamos a professora nos dizer quando devíamos virar a página do caderno, fazia um tracinho quando "pular" linhas, o que devia ser sublinhado, como abrir o caderno para que ele não fosse usado de forma incorreta.
Enfim, pequenas informações que eram os grandes saberes da época. Normalmente, percebia-se um interesse enorme por este aprendizado porque era essas as tecnologias que estavam a disposição.
Outro recurso que se utilizava eram folhas mimeografadas que, quando distribuídas, eram quase em "meme" viralizando na turma.
Somente dando uma pausa para reflexão é que percebemos o quando mudou num espaço de tempo relativamente curto, cerca de 30-40 anos.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Aprendizagem é...

O  resultado de mudanças significativas e qualitativas da auto-organização neuronal da corporeidade do indivíduo.
Quando aprendemos, ocorrem mudanças no cérebro, no sistema, nas conexões neuronais. Há uma inclusão de novos conceitos e por isso ocorre uma reconfiguração no cérebro.
O conhecimento emerge a partir das vivências humanas, das suas aprendizagens e das práticas humanas recorrentes. São essas práticas recorrentes que dão sentido às vivências. Se constrói sobre o cabedal de ações e é sobre a lógica desse conjunto de ações nas quais é preciso agir para operar e flexibilizar transformações.

Parafraseando uma expressão coloquial “o conhecimento move o mundo”, aprender significa operar transformações importantes para o indivíduo e no meio o qual ele pertence.

O filme "Como estrelas na Terra" que fomos convidados mais a vez a assistir no PEAD tem duas  cenas que foram muito significativas para mim:
Quando a mãe ligou para Ishaam para informar-lhe que  não iria visitá-lo naquele final de semana porque iria acompanhar o pai para assistirem o campeonato de tênis do seu irmão.
A mãe acredita que com suas explicações o filho a compreenderá ou, talvez, fará queixas pela ausência. No entanto, a reação do menino foi não querer ouvir as explicações e abandona o telefone enquanto sua mãe permanece  falando sozinha, sem ninguém para ouvi-la.
Esta cena nos choca e comove ao mesmo tempo, porque sem nenhuma palavra ele demonstrou toda sua ira com a negligência dos pais, sua tristeza e também a sua desesperança.
Também mostra o amadurecimento de Ishaam que mesmo tão pequeno já refletiu que durante vários anos tentou argumentar sobre sua não aprendizagem e ninguém o escutava, então agora não irá escutar o que os outros falam.
E ainda percebe-se toda a sua dor, toda sua mágoa, que ele parece não ter mais sentimentos pela mãe.
Outra cena é a cena de despedida entre o professor e o aluno, onde Ishaam deixa sua família e volta correndo para abraçar o professor. Impossível não chorar, não se comover e ver quanta diferença este professor fez na vida de seu aluno.